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arte, no cinema

A cidade para a humanidade

um homem com uma câmera

É cedo, A CIDADE ainda será.

O comércio está fechado,
os carros estão parados,
os telefones silenciosos,
as ruas desertas,
as portas fechadas,
AS MÁQUINAS inoperantes.

Há luz lá fora, por onde vai
UM HOMEM COM UMA CÂMERA
registrar os trilhos
percorridos
pelo primeiro trem da manhã.

Recém-nascidos choram,
a mulher se veste em seu quarto,
o rapaz deitado no chão acorda.

Os primeiros passos começam a se cruzar na avenida.
Lavar a cidade, lavar o rosto.
Lente em foco, olhos abertos.
Aviões, bondinhos, charretes se deslocam.

A CIDADE DESPERTA.

A fumaça do carvão se esvai pelo alto da torre.
No escuro de uma mina, UM HOMEM escava.
Mãos puxam a chave de energia, rodam as manivelas, operam AS MÁQUINAS.
AS FÁBRICAS funcionam sob a força de homens e mulheres.

O FUTURO ESTÁ EM CONSTRUÇÃO E AS OBRAS SEGUEM A TODO VAPOR.

Os homens transportam os produtos. E outras centenas comercializam.
A correspondência é carregada na bicicleta.
Os trens continuam a transportar todo o tipo de gente e de coisas.
Uma passeata cruza algumas ruas.

O filme fotográfico é cortado por uma mulher. Rostos ganham movimento.
Uma senhora e centenas de pessoas na rua
– recortes do cotidiano se tornam imagens cinematográficas.

Homens e mulheres casam e se divorciam.
Aquele que trabalha no cartório registra.
O outro, no meio da rua, opera o sinal para os veículos.
HOMENS e MULHERES chegam ao trabalho.

A CIDADE TODA ESTÁ EM MOVIMENTO.

Um homem é velado, uma mulher dá à luz. A cidade gira.
Um rapaz acidentado é atendido por uma ambulância. Os bombeiros correm para outro socorro. As mulheres se maquiam, as mulheres trabalham. Também lavam as roupas, lavam os cabelos. Um homem faz a barba de outro homem. Uma mulher corta o cabelo de outra mulher. Uma costura roupas, outra costura filmes.
Jornais. Cigarros. Lã. Telefones.
MÁQUINAS selam as embalagens. HOMENS trabalham numa siderúrgica.
A água gera energia a favor da produção.

E A PRODUÇÃO ESTÁ A FAVOR DE TODA A HUMANIDADE,
AS MÁQUINAS OBEDECEM AOS SOVIETES.

Sob seu comando, AS MÁQUINAS param. E então os trabalhadores se lavam. Grandes navios partem.

O Mar Negro.
Uma praia está completamente tomada por homens, mulheres e crianças. As pessoas se divertem, descansam, se exercitam. Desfrutam do mar, do rio, dos parques. Assistem a competições, fazem esportes ao ar livre. Conversam, se refrescam.
Vôlei, balé, futebol, corrida.
“O cinema do proletário”.
Os bares.
“O clube dos trabalhadores”
– jogo de damas, tiro ao alvo.
Vodka. Cerveja. Vinho.
Música. Xadrez. Rádio.

Todos os instrumentos nas mãos dos trabalhadores.

A câmera DZIGA VERTOV, o brilho nos olhos futuristas da União Soviética.

A CIDADE SOCIALISTA, A CIDADE PARA A HUMANIDADE.

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